O Dogue de Bordeaux

"A Deusa Terra queria ter um cão que encarnasse o seu poder e serenidade e quem recebeu esta incumbência foi o Mago do Fogo. Ele então cinzelou uma rocha de granito e implantou-lhe um diamante puro como coração e, depois, fundiu-os com uma coragem incandescente, a única fórmula possível de conseguir fazer esse titã francês. Isto é, obviamente, uma licença política, mas a verdade objetiva é que nos deparamos frente a um dos cães franceses mais antigos, que esteve quase por ser extinto depois da Segunda Guerra Mundial; dele, em seus primórdios, eram conhecidos vários tipos, conforme a sua região de origem, não obstante, na Grã Bretanha, não é reconhecido oficialmente...”.

O Dogue de Bordeaux atual é descendente direto de uma das numerosas espécies de Dogues que anos atrás existiam na França. Estes Dogues franceses quase desapareceram, exceto em Aquitânia, região sudeste da França, composta por várias províncias, onde foram muito numerosos e apreciados. Segundo os Criadores desta zona, sua compleição física era diferente, sendo que eram mais altos, fortes e pesados e sua cor era muito parecida com os Dogues atuais. Seu uso principal era o de pegar animais selvagens em círculos para lutas, na guerra e proteger os rebanhos de gado. Estes tipos de cães eram conhecidos desde o séc. XIV graças ao I Libro de la caza, de Gaston Phebus, conde de Foix-Barn.

            Seguramente os Dogues de Aquitânia foram descendentes dos Alanos. Na numerosa bibliografia existente sobre a origem das diversas raças caninas, se insiste em que o inicio de todos os Dogues Europeus foram uns grandes cães que existia a mais de 2 mil anos, na zona de fronteira entre a Índia e a China. Chegaram aos poucos pelo Tibet (bacia Mesopotâmia), onde começou a Historia da Humanidade.Logo, sua peregrinação levaria a Epirus, onde um rei mitológico fundou um reino na velha Grécia. depois chegaram a Roma e logo em seguida à Gália. Ao lado de Guerras, lutas e conquistas estes cães percorreram um longo caminho.

            Alguns estudiosos crêem que esta versão possa não estar bem certa, pois os arqueólogos descobriram ossos nas escavações feitas na França, procedentes da Época pré-histórica, atribuídos aos ancestrais dos Dogues.

            A respeito dos Dogues contemporâneos, na metade do séc. XIX viveram uma situação bastante diferenciada, já que a partir do séc. XVIII as Revoluções Industriais, intelectuais e científicas levaram a uma nova classe de pensamento e de concepção da vida, e ao florescimento das ciências naturais e a origem da cinologia.

            No ano de 1863, no Jardim Botânico de Paris, foi realizada a Primeira Exposição Canina Francesa, que para seus organizadores era mais um arrolamento das raças caninas existentes na França que uma competição sobre os melhores de cada raça.

            Durante trinta anos, criadores, aficionados e juízes discutiram o tipo ideal de Dogue, uma imagem uniforme de cor de pelagem, altura, conformação corporal, presença ou não de máscara, peso, etc., enfim todos os detalhes físicos, de temperamento e movimentação de um tipo ideal.

            Posteriormente isto foi mudado quando cinófilos com autoridade e competência tomaram conta deste assunto. Pierre Megnin o veterinário e editor da revista “O Criador” e J. Kunstler, reuniram os melhores Dogues e mais conhecidos que desde 1863 a 1895 haviam sido expostos em Exposições Caninas. Publicou-se então em 1896 um pequeno livro intitulado “O Dogue de Bordeaux”, em que descrevia o autêntico Dogue de Bordeaux. Esta foi a redação do primeiro Padrão da Raça, mas o Padrão racial conhecido pelo mundo cinófilo foi de Henry de Bylandt em 1897 com sua importante obra intitulada “Les Races des Chiens”.

            Dez anos depois, J. Kunstler, professor De anatomia da Faculdade de Bordeaux, se ocupou dos Dogues. No Museu de História Natural de Bordeaux, reuniram uma genuína coleção, que foi ajudada com conselhos e preciosas informações de Criadores e proprietários de Dogues da região. Assim publicou-se em 1910 um “Critico Estudio de los Dogos de Bordeos”, no qual apresentava uma extraordinária documentação. Deste estudo acabou sendo um novo Padrão da Raça, cuja precisão era notável para a Época.

            Em Bruxelas e nos arredores de Bordeaux, havia naturalmente proprietários de Dogues de Bordeaux que se esforçavam para se fazer crer que seus cães eram os melhores exemplares. Negavam injustamente que este modelo proposto representava o melhor da antiga família de Dogues de Bordeaux (Dogues de luta). Mas com a Guerra de 1914 esta disputa foi interrompida por fatos mais importantes.

            Com muita dificuldade, gerações de Criadores seguiram esse caminho que garantiu desde o principio do século passado a continuidade e melhoria da raça, no qual foi feito nos últimos anos um incontestável e notável progresso, enfrentando por último a crise mundial que os cães de guarda estão sofrendo.

O caráter do Dogue de Bordeaux

            Na atualidade não é mais o combatente do passado, um cão arisco e sempre inclinado a brigar. Graças a seleção criteriosa dos criadores e aficionados pela raça, se há conseguido exemplares equilibrados, sensíveis e com uma capacidade incrível para estar com as crianças.

           

Adoram os menores, são capazes de agüentar sua brincadeiras por vezes até cruéis, como montar em suas costas como cavalos. Estão sempre dispostos a brincar e cuidam deles ao máximo extremo. De qualquer forma, como cada exemplar é diferente um do outro, sempre temos que ficar atentos ao comportamento do cão quando em companhia de crianças pequenas, tanto para a segurança deles como dos cães.

           

O Dogue de Bordeaux é admirado em todo mundo por sua incrível impressão e poderio. É um animal que possui uma incrível segurança em si mesmo, não necessita de latidos e grunhidos, é um gigante equilibrado, e ele sabe disso e se comporta como tal. Diante de qualquer situação se comporta de forma totalmente equilibrada.

           

É um cão muito musculoso, imponente e com grande coragem, com uma reação assombrosa a curta distância.

           

É um cão de raça grande que não necessita de exercícios excessivamente intensos, com três passeios ao dia de 40 minutos será mais que o suficiente.

Quando filhote precisa de atenção e de ficar solto para que não atrofie seus músculos e tendões, fazendo com que seu crescimento se faça o mais sadio possível. A atenção que necessita nada mais é do que brincadeiras com bolinhas ou outros brinquedos que ele goste, mas lembre-se de guardá-lo assim que terminar as brincadeiras.

            Seu comportamento com outros Bordeaux são muito amigáveis e convivem muito bem um com os outros, respeitando bem a hierarquia já existente.

            Os Dogues de Bordeaux se mostram tranqüilos e alerta diante de estranhos, por?m desconfiados. Com seu dono ? muito apegado mas necessita de seu espaço e sua própria intimidade.

Como é o Dogue de Bordeaux?

            É um gigante da espécie canina, um colosso bem forjado, um atleta harmônico e imponente em seu conjunto. A primeira vista, sua enorme cabeça massiva, sulcada de rugas profundas, e sua expressão severa, unidas a sua robustez, nos impõe um profundo respeito, mas, com certeza incluso em seu trabalho de guarda (coisa que faz com perfeição, o Dogue de Bordeaux nunca chega a ser agressivo, seu olhar penetrante dissuasivo e sua segurança em si próprio bastam para afugentar qualquer um que queira fazer o mal).

            É reflexivo que encontra sua calma e seu valor na consciência de sua força prodigiosa. Para assegurar seu papel de guardião não necessita de nenhuma educação específica. Já desde muito jovem fazem-se suas “rondas” noturna de vigilância, para se assegurar de que tudo está em ordem em seu território. Por ser muito apegado á família, não é um cão fujão e raramente late (somente quando lhe é necessário).

            Na intimidade, o Dogue de Bordeaux se mostra afetuoso e sentimental. A coisa que mais deseja é estar sempre ao lado de seu dono a espera de uma palavra de afeto e um carinho. Apesar de sua aparecia tosca, é difícil acreditar que se pareça com a meiguice de “Bambie”, de Disney, cheio de ternura, mimo e sensibilidade.

            Seu caráter calmo e estável não cria problemas de obediência, claro, se desde sua infância for colocado seus limites, o Dogue de Bordeaux necessita de um dono com um sólido sentido de justiça e de educação.

            A diferença de outras raças, é que, o Dogue de bordeaux amadurece mais lentamente, e tem uma grande capacidade de aprendizado, inclusive desde filhote compreende rapidamente os desejos de seu dono e los aceita nem que for só para agradá-lo.

Os Tipos e as Fusões

           

Precisamos de antemão que é necessário tomar a palavra “tipo” no sentido de “origem” ou “variedade”, apresentando os caracteres diferentes de um conjunto no qual está incluído. Os três tipos, bordolês, parisiense e toulousiano, estão incluído na raça Dogue de bordeaux, e cada um possuem um conjunto de caracteres comuns hereditários. Trata-se, como se pode ver, dos adjetivos que os qualificam, de acordo com a origem regional. Segundo a criação em Bordeaux, Toulouse ou em Paris, encontramos focinhos muito curtos, focinhos demasiadamente largos ou cães corretos.

TIPO PARISIENSE

            Segundo Gilbert Triquet, “O Dogue de Bordeaux”, 1943, se assemelha ao Mastiff. É esbelto e agalgado, com o manto pálido. Há quem diga que este é o tipo menos “típico” dos três modelos, pois é o mais heterogêneo.

            É provavelmente em Paris, onde se introduziu o sangue de Mastiffs da Época, por isso o manto ás vezes era de cor areia. O Dogue Parisiense tinha a cabeça menor e com menos rugas, inclusive tinha alguns com aspecto um pouco delicado e com focinho extremamente fino, às vezes tinha a frente alta e com rugas menos marcadas. Assim mesmo, eram grandes, com as costelas planas contudo, como dizia Kunstler, fizemos um média entre todos os tipos grandes, esbeltos, com cabeças largas com os tipos menores, rechonchudos e braquimorfos .

TIPO TOULOUSIANO

            Estamos diante de uma variedade muito mais homogênea, que se chama Dogo de Midi. Uma dupla influência, contudo, se deixa sentir: O sangue de Dogue Espanhol e o de Dogo de Ulm (uma espécie de dogue alemão da época, com uma cabeça mais forte e bochechas cheias).

            Em minha opinião, existiam dois tipos de Toulousianos. O primeiro é sensivelmente um dogue alemão de cabeça larga e focinho com pouca massa, sem expressão, com costelas planas, ventre agalgado, ossatura insuficiente e musculatura pouco desenvolvida. Vi muitos destes quando julguei Bordeaux em Albert  Somme em 11 de maio de 1969. Era a primeira vez que se viam tantos ao norte (15 presentes de 16 inscritos). Michel Magnier, criador da região, havia realizado um grande esforço. As fêmeas eram bonitas, mas os machos tinham esta aparência de dogues alemães de má qualidade. Estava desolado por isto, completamente decepcionado.

            O verdadeiro tipo Toulousiano era outra coisa. Para começar, eram bastante homogêneos, o corpo era poderoso, mais largo que em Bordeaux, mais alto, o crânio era forte, mas não trapezoidal, o focinho bastante largo, massudo e poderoso em sua base e mais fino em seu extremo. Uma diferença do tipo Bordeaux é que na frente não domina a cara e o stop está claramente menos acentuado. Com muita freqüência o Toulousiano é pouco prognata e possui poucas rugas.

TIPO BORDEAUX

            Se trata do Dogue de Bordeaux descrito no Padrão da raça.

            Deve-se lembra que antes da Exposições Caninas não se falava de DOGUES DE BORDEAUX e sim de DOGOS, BOULEDOGUES de BORDEAUX, BOULEDOGUES de MDI, de cães de açougues.

A FUSÃO – CRUZAS

            Vemos isto com P. Megnin e sobretudo com Kustler. Foram numerosas: Mastiff, Dogue de Ulm, Dogue Espanhol, São Bernardo, Cão São Humberto, Bouledogue e Bulldog.

           

O Mastiff contribuiu com a máscara negra, uma cabeça grande e redonda e não trapezoidal, menos rugas, um pelo mais áspero e mais compridos, pescoço mais curto, extremidades anteriores mais verticais e um manto de cor areia (ainda que não tudo isto ao mesmo tempo). As cruzas com ele foram muito numerosas antigamente.

            As cruzas com Bouledogue deram cães menores, massudos, com o crânio plano, focinho curto, angulações traseiras reta e rabo anodado e atrofiado.

            O São Bernardo deu o pelo demasiado longo, cabeças maciças, mas não trapezoidal, um stop menos pronunciado, rugas menos pronunciadas e sobre tudo um pescoço mais curto, quase na prolongação da linha dorsal.

            O Cão de São Humberto, deu uma cara larga, com lábios pendentes, rugas abundantes, peles soltas e barbelas caídas. Essas cruzas aconteceram quando os Dogues caçavam javalis.

            O Dogue de bordeaux através dos séculos “fiel a si mesmo” ?? uma visão espiritual. Grande cães de guarda e de caça tem chegado até nós e se diversificaram em seguida em Mastins, Dogues, Mastiffs e Bouledogues. Certamente houve em Aquitânia uma população de molossos que cruzaram com Dogues Espanhóis, pela proximidade com os Mastiffs Ingleses durante a Guerra dos Cem Anos, com cães que viviam ali, com cães de caça a javalis e ursos, com os numerosos Mastins que povoavam as Campinas e com os Bulldogs como conseqüência do comércio com a Grã-Bretanha no século XVII ao XIX.

           

Padrão

Origem: França. Utilização: Guarda, defesa e dissuasão.

Classificação FCI: Grupo 2, Cães do tipo Pinscher e Schnauzer, molossóides e cães de montanha e boiadeiros suíços. Seção 2.1, Molossóides tipo Dogue. Não submetidos à prova de trabalho.

Breve Resumo Histórico:

            O Dogue de Bordeaux é um dos cães franceses mais antigos, descendentes provavelmente dos Alanos e, em particular do Alano de Gaston Phebus, que disse no século XIV, em seu “Livro de Caça”, que “tinha a mordedura mais forte que a de três lebreis”. A palavra Dogue aparece no final do século XIV.

Em meados do século XIX, estes antigos Dogues, eram conhecidos somente em Aquitânia. Eram utilizados para caça maior (javalis) em combates, na guarda de casas, propriedades, gado e ao serviço de açougueiros. Em 1863 na 1ª Exposição Canina de Paris no Jardim de Aclimatacion, os dogues de Bordeaux já figuravam com seu nome atual.

            Existiu três tipos diferentes de Dogues, de acordo com a criação de cada região. Eram eles: Parisiense, Toulousiano e Bordeaux. A raça que havia sofrido muito durante as guerras mundiais, chegou a ponte de extinção depois da guerra de 1943/45, e recuperando mais tarde encontrando seu auge em 1960.

            1° Padrão da Raça foi feito por Pierre Megnin, 1896 em seu livro “O Dogue de bordeaux”.

            2° Padrão da Raça foi feito por J. Kunstler, 1910  - Estudo crítico do Dogue de Bordeaux-  o mais rico em detalhes para Época.

            3° Padrão da Raça foi feito por Raymond Triquet com a colaboração do veterinário Maurice Luquet, 1971.

            4° Padrão da Raça foi reformulado por Raymond Triquet, com a colaboração de Philippe Serouil segundo o modelo de Jerusalém/ FCI. O presente Padrão foi publicado em 14 de abril de 1995 com o número 116/F.

APARÊNCIA GERAL

            É tipicamente um molossóide, braquicefálico, concavilíneo. O Dogue de Bordeaux é um cão muito poderoso, cujo corpo muito musculoso conserva um conjunto harmonioso. Está construído mais para baixo, isto quer dizer que a distância do esterno ao solo é ligeiramente inferior a altura do peito.

            Forte, atlético, imponente, tem um aspecto bastante dissuasivo.

PROPORÇÕES IMPORTANTES

·         O comprimento d tronco, desde a ponta dos ombros até a ponta do ísquio, é maior que a sua altura na cernelha, na proporção de 11/10.

·          A profundidade do peito é maior que a metade da altura na cernelha.

·         O comprimento máximo do focinho é igual a 1/3 do comprimento da cabeça.

·         O comprimento mínimo do focinho é igual a 1/2 do comprimento da cabeça.

·         Nos machos e perímetro cefálico é quase igual a altura na cernelha.

CARATER E COMPORTAMENTO

            Antigo cão de combate, talhado para guarda, que assume com atenção e grande coragem, sem agressividade. Bom companheiro, é muito apegado a seu dono e muito afetuoso. Tranqüilo, equilibrado com limiar de excitação (reação) alto. O macho geralmente tem um caráter dominante.

CABEÇA

Vista pela frente ou por cima, é bem volumosa, angulosa, larga, muito curta, de aspecto trapezoidal. As linhas superiores do crânio e do focinho convergem para frente.

REGIÃO CRANIANA

            Nos machos: o perímetro craniano, tomado no ponto da maior largura, é quase igual à altura na cernelha. Nas fêmeas: pode ser ligeiramente menor.

O volume e a forma são as conseqüências do importante desenvolvimento dos ossos temporais, das arcadas suborbitárias, zigomáticas e da largura do segmento caudal da mandíbula. A face dorsal do crânio é ligeiramente arqueada entre as orelhas.

·         Stop muito marcado, fazendo, com a cana nasal, um ângulo quase reto (95° a 110º).

·         Sulco sagital profundo, atenuando-se para o occipital. O frontal é dominante, portanto, ainda mais largo que alto.

·         A cabeça é sulcada de rugas simétricas de cada lado da linha sagital. Essas rugas, profundas e torcidas, movem-se conforme o cão está em repouso ou em atenção.

A frente é dominada pela cara, assim portanto, mais larga que alta.

REGIÃO FACIAL

  • Trufa: grande, de narinas bem abertas, bem pigmentada conforme a cor da máscara. Admite-se a trufa arrebitada, mas não afundada contra o focinho.

  • Focinho: poderoso, largo, volumoso, mas não empastado sob os olhos; muito curto, linha superior ligeiramente côncava, com rugas tenuemente marcadas. A largura diminui ligeiramente até a ponta do focinho que, visto de cima, tem o formato geral quadrado. As linhas superiores, do crânio e do focinho, convergem em ângulo bem aberto para cima.

  • Quando a cabeça está na horizontal, a região anterior do focinho, largo na raiz, volumoso e truncado, fica à frente de uma vertical, tangente à linha anterior da trufa. O perímetro do focinho aproxima-se dos 2/3 do da cabeça. O comprimento, entre 1/4 e 1/3 do comprimento total da cabeça, da trufa à protuberância occipital. Os limites (acima do 1/3 e abaixo do 1/4 do comprimento da cabeça) são admitidos, mas indesejáveis, ficando o comprimento ideal do focinho compreendido entre os dois extremos.

  • Maxilares: muito poderosos e amplos. O cão é prognata (o prognatismo inferior é uma característica da raça). A face posterior dos incisivos inferiores está à frente e sem contato com a face anterior dos incisivos superiores. A mandíbula curva-se para cima. O queixo é bem marcado e não deve ultrapassar exageradamente o lábio superior, nem ser encoberto por ele.

  • Dentes: fortes, particularmente, os caninos. Os caninos inferiores são afastados e ligeiramente recurvados. Incisivos bem alinhados, principalmente, os inferiores, que são organizados em linha, aparentemente, reta.

  • Lábios: os superiores são espessos, moderadamente pendentes e retráteis. Vistos de perfil, apresentam uma linha inferior arredondada. Recobrem lateralmente a mandíbula sobre os lados. Na frente, a borda do lábio superior permanece em contato com o lábio inferior, em seguida desce de cada lado formando um V invertido e aberto.

  • Bochechas: Salientes, em virtude de um desenvolvimento muscular muito forte.

  • Olhos: ovais, largamente afastados, numa distância entre os cantos mediais, equivalente ao dobro da distância entre os bordos interno e externo de um mesmo olho (abertura palpebral). Olhar franco. A conjuntiva não deve ser aparente. Cor, do avelã ao castanho escuro, para os exemplares com máscara negra. Nos de máscara marrom ou sem máscara, tolera-se, uma tonalidade mais clara.

  • Orelhas: relativamente pequenas, de cor um pouco mais escura que a cor da pelagem. O segmento anterior da linha de inserção é um pouco mais alto. Portadas dobradas e caindo com a borda anterior junto às faces, quando em atenção. A extremidade é ligeiramente arredondada; seu tamanho não pode ultrapassar o olho. De inserção bem alta, de forma que, vistas de frente, a linha da dobra parece continuar a linha de contorno do crânio, dando a impressão de mais largo.

PESCOÇO

Muito forte, musculoso, quase cilíndrico. Garganta com fartura de pele, frouxa e elástica. O perímetro médio é quase igual ao do crânio. O pescoço é separado da cabeça por um sulco transversal, ligeiramente arqueado. É muito largo na base, fundindo-se na inserção com os ombros. A linha superior é ligeiramente arqueada. As barbelas são bem definidas e começam na garganta, fazendo dobras que vão até o antepeito, sem pender exageradamente.

CORPO e TRONCO

·         Linha superior: firme, com um dorso amplo e bem musculoso, cernelha bem marcada, lombo largo muito curto e consistente, garupa moderadamente inclinada até a raiz da cauda.

·         Garupa: Moderadamente oblíqua, desde o início ate a cauda.

·         Peito: poderoso, largo, amplo, descendo abaixo dos cotovelos. Antepeito igualmente amplo e poderoso e, visto de frente, a linha inferior entre os membros é convexa. Costelas profundas e bem arredondadas, sem ser em barril. O perímetro torácico é de 25 a 30 cm maior que a altura na cernelha.

·         Linha inferior: arqueada, do peito profundo ao ventre retraído e firme, nem caída, nem esgalgada.

CAUDA

Bem grossa na raiz. A ponta alcançando, de preferência, o nível dos jarretes, sem ultrapassá-los. Portada baixa, sem ser quebrada, ou nodosa, mas flexível. Cauda em repouso, eleva-se em geral de 90° a 120° em relação a esta posição; em movimento, sem curvar-se sobre o dorso ou se enrolar.

MEMBROS

            Ossatura forte e membros bastante musculosos.

            Anteriores

·         Ombros: poderosos, com relevo muscular evidente. Inclinação média da escápula (em torno de 45° com a horizontal). Angulação escápulo-umeral pouco mais de 90°.

·         Braços: Muito musculosos.

·         Cotovelos: trabalhando, bem ajustados, não muito rentes ao tórax e corretamente direcionados para frente.

·         Antebraços: vistos de frente, retos ou ligeiramente inclinados para aproximarem-se do plano médio, principalmente, nos exemplares cujo peito é muito largo. Vistos de perfil, são verticais.

·         Metacarpos: poderosos. De perfil, ligeiramente inclinados. Vistos de frente, às vezes, ligeiramente voltados para fora, para compensar a ligeira inclinação para dentro do antebraço.

·         Patas: fortes, compactas, unhas curvas, fortes, almofadas plantares bem desenvolvidas e elásticas; o dogue é digitígrado, apesar do seu peso. Popularmente pés de gato.

Posteriores

Membros robustos, bem angulados com ossatura robusta. Vistos por trás, os membros são bem paralelos e verticais, revelando potência, apesar dos posteriores serem menos largos que os anteriores.

·         Coxas: muito desenvolvidas e grossas, exibindo relevo muscular.

·         Joelhos: trabalhando num plano vertical, paralelos ao plano médio ou, ligeiramente, voltados para fora.

·         Pernas: relativamente curtas e musculosas.